domingo, 17 de maio de 2015

Desculpa pelo que?


Essa é uma foto minha totalmente sem maquiagem, mas esse não é um texto sobre maquiagem, ou a falta dela. Quer dizer, não exatamente. Já tem alguns dias que eu vi um vídeo da iiSuperWomanii em que ela fala sobre o dia em que ela se desculpou por ir a uma reunião "looking like a mess", o que eu vou traduzir como "estar destrambelhada " por não me ocorrer outro termo agora. E quando ela olhou pra si mesma, o que ela chamou de destrambelhada era, na realidade,  apenas ela, de moleton, cabelo natural e rosto sem maquiagem, o que é, basicamente, ela! Ela, elazinha, normal, natural. Foi aí que ela disse que notou como não deveria se desculpar por simplesmente parecer consigo mesma.
Então eu comecei a me perguntar quando foi que começou a deixar de ser tão natural a gente estar natural. Acho que pra mim - e pra muitas outras pessoas, especialmente meninas - foi na adolescência, quando a acne começou a surgir com força total e o cabelo virou uma loucura, e tentar ser uma versão melhor de si mesma virou uma luta diária, com bases, pós, mil produtos de cabelos... E nada disso é exatamente ruim, mas eu já me peguei tantas vezes dependendo de tudo isso que, sim, vira um problema. Mas nada disso é novidade, a gente já ouviu um milhão de vezes essa conversa sobre dependência de produtos de beleza para se sentir bem, o que me bateu dessa vez é que, apesar de não ser a situação no vídeo, é uma situação que eu já vivi: os outros esperarem uma imagem "photoshapada" de você. 
Eu faço arquitetura e uma vez ou outra eu já ouvi meus professores pedirem pra gente se maquiar ou usar roupas melhores nas apresentações de projeto, e na ultima vez que ouvi isso, olhei ao redor da sala procurando se tinha alguém vestido de forma não profissional, e não havia, o que havia eram alguns rostos claramente cansados dos milhões de horas investidos nesses trabalhos. É aí que eu vejo que, além de aguentar a pressão que colocamos em nós mesmos de caber em determinados padrões, tem gente alí, do lado de fora, esperando ver nossas versões melhoradas como se isso fosse um pré-requisito natural, como se isso fosse esperado e normal. Não me entenda mal, eu vou continuar me maquiando, vestindo roupas mais arrumadas, fazendo algo diferente no meu cabelo, tudo isso quando eu quiser ou quando convir, o que me incomoda é que eu associe minha aparência de "como vim pro mundo" como destrambelho, como uma bagunça, e o que me incomoda é que as outras pessoas pensem isso de mim também, e que eu pense isso da aparência daqueles ao meu redor. 
Aquela lá em cima sou eu, de pele falha e oleosa, com os cabelos secando ao natural, a mesma Luana da foto do lado, maquiada, no perfil do blog, nenhuma delas está destrambelhada, todas as duas são totalmente aceitáveis, ou pelo menos é isso que eu estou trabalhando para enxergar. 




segunda-feira, 27 de abril de 2015

Uma teoria aos 13, uma música aos 21, e todos pensamentos que resultaram

Eu lembro de quando eu tinha uns 13 anos, algo assim, em um desses dias que eu chegava para falar com minhas amigas com uma expressão desafiadora no rosto, querendo mostrar algo que as fosse surpreender, e em uma dessas vezes eu perguntei a cada uma delas “qual o contrário do amor?”, ao que elas respondiam um pouco desconfiadas que era o ódio, não era? Ai então que eu respondia que não, e revelava que quando há ódio, o indivíduo pelo menos “se importava” de sentir ou desejar algo para o outro, ainda que esse algo fosse negativo. O contrário dessa coisa explosiva chamada amor seria, pasmem, a indiferença, com todo o vazio de importância que ela implicava de uma pessoa para outra. É óbvio que eu tinha ouvido ou lido isso em algum lugar, mas minhas amigas ficaram com certeza intrigadas com toda essa sacada, e eu considerava que eu havia aprendido uma grande revelação com aquilo. Bom, talvez eu tivesse.
Hoje, com mais de 20 anos de sacadas maiores e menores do que essa, e quase uma década depois do ocorrido, enquanto eu ouvia uma música pela provável milésima vez, eu finalmente vi como ela orna com toda essa teorização tão “teenager orkutiana” que eu tive todo esse tempo atrás. A música é narrada por alguém que não é nem remotamente capaz de retribuir os sentimentos de um outro alguém, que o ama profundamente. Esse tal narrador chega a dizer que os aqueles “olhos azuis só poderiam encontrar os meus numa sala cheia de pessoas menos importantes que você”. Com isso, eu passei a racionalizar como essa espécie de asco que o narrador sente pela tal criatura apaixonada foi motivação suficiente para que uma música fosse escrita a respeito de toda a situação. Tantas vezes, na história desse mundo enorme, o amor, o ódio e alguns sentimentos mais intermediários foram as inspirações para tantas músicas, histórias, ações e reações... Mas quantas noites você já passou acordado por conta de uma pessoa com que você não se importa nem pensa a respeito? Não precisa nem parar pra pensar pra ver que não faz o menor sentido.
E é exatamente isso que me faz sentir um estranho por dentro, sabe? Porque hipoteticamente daria pra perceber os pares de olhos que estão desesperadamente desejosos de cruzar com os meus, e eu poderia notar os olhos que me evitam fortemente, ou que rolam de desgosto quando encontram com os meus, porém existem também aqueles olhos que não se demoram nem uma fração de segundo a mais ao cruzar com os meus. Os últimos parecem a mim extremamente temidos agora, porque mesmo na música, se ninguém mais importante aparecesse no lugar, os olhares do narrador e do apaixonado teriam a chance de se cruzar, mas nessa ultima situação não, os olhos que não se importam (ou o coração e a mente por trás deles) nunca vão me dar uma canção, nem de amor, nem de repulsa, eles não vão dar uma reação sequer até que se importem o suficiente comigo para tal. E mesmo com todas essas teorias que eu tinha quando era criança (apesar de que eu preferia o termo “pré-adolescente”), eu acabei chegando a ser quem sou hoje com um medo de estar “fria” ou “quente” demais para o gosto dos outros, sem perceber, até agora, que o que é “morno” nunca consegue ser “incômodo” o suficiente para sequer ser notado por quem está ao redor.

(Nota de apelo: não sou a favor do ódio, do asco, nem da repulsa e todas essas coisas "lindas" só por que eu estou dizendo que às vezes isso dói menos  que a indiferença, ainda é feio, gente) ;)

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Super



 (Imagem: Vegas News)

Nesse último domingo eu vi homens voando. Alguns também conseguiam se apoiar com uma mão só em superfícies impossivelmente altas, e algumas mulheres, juro, poderiam caber na gaveta da qual acabei de tirar esse notebook. E depois de ter visto tudo isso eu passei as próximas horas da minha vida comentando com todos e com tudo (provavelmente eu falei até para as paredes) o quanto eles eram sensacionais, impossíveis e superumanos.
Precisou de uma noite mal dormida, com a cabeça na almofada e a mente nas nuvens (literamente, pois não consigo dormir muito em aviões), para que eu percebesse que, apesar de toda a precisão maravilhosa de movimentos e de técnica que eu vi naquelas pessoas, eles eram “só” isso, pessoas. Eles eram super, mas não no sentido sobrenatural e sim no sentido de que eles superavam todo tipo de limite que eu pus na minha cabeça sobre o que é possível ou não.
Pra mim e, aposto, para cada pessoa naquela plateia, esses heróis estavam fazendo tudo que há de mais impensável, mas ao mesmo tempo que o que eles fazem é completamente fora do meu alcance, eu me pego pensando: o que seria o impossível, ou o super para eles, que estão ali naquele palco? Seriam as pessoas que são capazes de escrever páginas que são lidas por gente nos quatro cantos do mundo? Seriam aqueles que conseguem fazer prédios que desafiam a gravidade e sustentam dez mil pessoas e ainda enchem os olhos? São aqueles cuja voz enche corações com toneladas de sentimentos inexplicáveis? São aqueles que com seu discurso, ou seu atos, ou sua inteligência são capazes de mudar certas coisas no mundo?
Eu me peguei raciocinando que as pessoas têm as mais variadas formas de serem de serem super, sem nem chegar perto de terem poderes sobrenaturais. E fiquei pensando que eu mesma poderia fazer o impossível aos olhos de alguém se eu lutar por isso. Ser incrível, no mundo real, não é um presente, ou uma dádiva, ou um poder e pode ser tão relativo como uma opinião. Porém, eu notei, nunca vem de graça. Eu não sei se eu gostaria de um dia ter o mundo me olhando e me reconhecendo como impossivelmente incrível em algum aspecto, seja lá qual fosse. Parece muita pressão. Mas se eu conseguir ser, para alguém que seja, o mínimo de inspiração, o mínimo de sensacional, isso – sim - seria super.

-Luana Rôla de Sousa

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Dear Winter


Querido Inverno,
               Depois que eu escrevi ao seu antecessor, o Outono, e depois que você finalmente chegou, tentei achar motivos para não escrever também a você e não os encontrei. Pensei também em fazer um compromisso em escrever, então, a cada um dos seus irmãos, mas levando em conta o quão desatualizada estou com meus compromissos, resolvi deixar essa decisão para o futuro: se tiver vontade e motivos, escreverei à Primavera e ao Verão quando o tempo chegar.
               Não sei se você sabe que grande novidade você é para mim nesse novo lugar. Eu não tenho nenhuma prática em conviver contigo, e esqueço minhas luvas todo santo dia em casa. (Você sabe que seus ventos têm uma má fama de avermelhar e até cortar qualquer superficiezinha de pele à vista, não sabe?) Não me leve a mal, mas não acho que eu vá realmente me acostumar ao seu comportamento temperamental, já que não vai demorar até sua partida, e ainda hoje sou enganada pelo brilho do sol pela janela, me fazendo sair bem menos agasalhada do que eu deveria. E quando você soma sua frieza aos ventos que vêm do litoral... Nossa, apenas não se ofenda pelas vezes que já te xinguei mentalmente.
               Mas calma, se você já não largou essa leitura achando que minha única intenção é reclamar de ti, talvez devesse saber sobre como quase fez meu coração parar de emoção na primeira vez que me trouxeste neve. Provavelmente você sabe que estou numa jornada que me leva pra longe de quase tudo que conheço e amo, mas me surpreendo como meu coração é grande o bastante para caber outras pessoas, outros lugares e outros hábitos (como jogar bolas de neve nessas tais novas pessoas) e essas descobertas de que não apenas cada lugar, mas também cada estação traz um novo sabor às experiências têm trazido ao meu coração aquele quentinho que ele tanto precisa quando eu penso que tudo está abaixo de zero.
               E ainda que você faça meus sentimentos oscilarem tanto quanto as sensações térmicas que você traz, e muitas vezes você me faça ter vontade de assistir filme enrolada no edredom o dia inteiro com um copo de chocolate quente ao meu lado, eu tenho certeza que vou sentir sua falta quando você for.
               Pelo menos você não se vai agora, e por isso,
Até amanhã.
 


quinta-feira, 6 de novembro de 2014

6on6 - Novembro

     Por algum motivo que eu desconheço, o ano passou por aqui voando e eu nem vi! Já é o 6on6 de Novembro e eu tô super feliz de postar a tempo e ainda ter conseguido reunir tudo praticamente em um tema. Percebi que algumas das fotos que tirei enquanto estava na Escócia tinham meio que um ar sombrio, com muito claro e escuro e esse contraste entre a luz e a falta dela virou o tema do mês! Daí o resultado da seleção é esse: 







E como não poderia deixar de ser, tem mais 30 fotos lindas pra ver nos 6on6 de CarlosFabyJadeLee e Morgânia. =)

Bisou!!

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Dear Autumn


Querido Outono,
               Eu bem sei (e você também) que não nasceu de mim a ideia de te enviar cartas, mas eu me perguntei bastante que mal faria te dizer algumas palavras e cheguei à conclusão que não há mal algum, podes simplesmente escolher não me ouvir.
               Mas eu sinceramente gostaria que me ouvisse, pois é minha primeira vez em sua companhia e talvez você gostasse de saber as novidades que você me traz. Você é mais ou menos como nos filmes, sabe? Provavelmente, te olhando assim de pertinho, e com meus pés ensopados de chuva, você tenha um ar um pouco menos romântico, mas acho que há algo sobre as folhas laranjas no chão e sobre o vento que bagunça mais ainda meus cachos que te trazem um ar de filme antigo que me alegra estar no elenco.
               Parece bobagem, mas é engraçado descobrir que um cachecol é mais que um enfeite, e sim uma proteção contra seus sopros nervosos, ou descobrir quanta alegria há em fechar e sacodir o guarda-chuva, entrar numa cafeteria quentinha e pedir o café preferido. O grande valor que eu percebi em você, Outono, não é o frio que eu desconhecia, mas os pequenos gestos que esquentam o corpo e o coração.
               Provavelmente, entre tanta gente, você não tenha prestado atenção em mim, mas ainda assim queria que soubesse que ao mesmo tempo que eu estou te conhecendo e me acostumando contigo, também me acostumo comigo enquanto estou vivendo uma grande mudança e estou criando novos hábitos. E ainda que às vezes eu tenha dúvidas e pense que esse frio só faz aumentar outros frios que sinto por dentro, você traz algumas outras surpresas que me ajudam a relevar e balancear algumas questões que tenho. Não, não estou dizendo que você trouxe só para mim os esquilos felizes do parque ou os artistas de rua que cantam a música certa, só estou dizendo que esses pequenos gestos me alegram de forma particular, como um presente pessoal, ainda que não o seja.
               Desculpa, Outono, talvez eu tenha sido sentimental demais, tenha me exposto demais, mas deve ser um resultado desse sentimento de filme antigo que eu disse que você trazia. Espero ansiosamente por mais surpresas (sem pressão), e sei que te vejo amanhã, então,

               Até logo!


Ps: Esse texto foi inspirado pela série de vídeos da Carrie Hope Fletcher e vale muito à pena acompanhar (é só clicar aqui)!
Bisous!